quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dizer que te amo

Dizer que te amo, é pouco
para este amor tão louco,
que não cabe dentro de mim...

Dizer que te amo, bem além
do que a frase significaria,
queria dizer, para dizer de toda esta alegria!

Dizer que te amo, como quem
ama a própria vida, em verdade,
sonhando ter a grande felicidade!

Dizer que te amo, eu digo assim:
é um amora de passado, presente e futuro,
de um passo forte, firme e seguro!

Dizer que te amo, digo e vale bastante,
pois quem não te esquece um só instante
almeja teu amor até o fim!

Mas, dizer que te amo, vale mais ainda,
sei de uma forma de amar infinda,
intraduzível ainda para mim!...

(Wandisley Garcia)
Jales-SP


Obra-prima

Um dia, Deus quis extravasar sua harmonia,
E resolveu fazê-lo de forma extasiante,
Pintando um quadro, tão singelo e cativante,
Que, à sua presença, tudo se tornava
Poesia...
Tomou por tela uma pele macia e quente,

De uma matiz enlevante e até profana,
Amoldada em uma curvilínea forma
humana,
De uma simetria irrepreensível e silene...
Pintou com calma e paciência infindas,
Mas com tenacidade, argúcia e fulgor;
Doando de Si próprio ternura e amor,
E cada traço tinha nuances mais lindas!
Cada detalhe demonstrava seus talentos:
Olhos firmes , mas de candura sem par;
Mãos delicadas, próprias para afagar,
E um coração repleto de bons sentimentos!
Cabelos soltos, ondas revoltas na brisa,
Gestos felinos, com voluptuosa intensidade;
Voz melodiosa, que dilui serenidade,
E um sorriso lindo, que cativa e energiza...
Ao final da obra, Deus sorriu, satisfeito,
E vendo um trabalho, assim, tão perfeito,
Doou-a ao mundo, para exaltar seu mister...
Inseriu-lhe Vida, Volúpia e Emoção,
Ornou-a com Carinho, Acalento e Paixão,
E nominou-a com o termo mágico:
MULHER!... 

(Sandro Toledo Rocco) 
Santa Albertina - SP

Reminiscências

Ainda que o Tempo, implacável,
Seja carrasco de nossas emoções,
E um agonizar inexorável
Maltrate muito nossos corações,
Nada supera, em nossa alma,
O fulgor de se apaixonar!...
E eu, assim, insisto, com toda calma,
Na emoção de te amar...

Ainda que as agruras da vida
Deixem no espírito, cortes profundos,
E a mente se sinta exaurida,
E os demônios da dor sejam fecundos,
Nada supera, em nosso peito,
O gosto amargo de gostar!...
E eu, aqui, sempre me deleito
Na aventura de te amar...
Ainda que certas atitudes maltratem,
Seja por capricho, ou desatenção,
E dúvidas atrozes sobre nós se abatem,
Com o fardo pesado da desilusão, 

Nada supera, em nossa veia,
A força de um desejo, a pulsar!
 E eu, disperso, como grãos e areia,
Na loucura de te amar...

Ainda que surpresas haja no caminho,
Muitas das quais, puro sofrimento,
Que ferem fundo, tal qual espinho,
E mais do que sangue, jorrem tormento,
Nada supera, em nossa Vida,
O prazer infinito de se entregar!...
E eu, calado, sofrendo, morrendo, aos
prantos,
Sei que males existentes não são tantos,
Que me impeçam de sempre, sempre, te
amar...

(Sandro Toledo Rocco)  
Santa Albertina- SP

Sons Saxofônicos

Sons saxofônicos
Espalham-se pelo ambiente,
As notas se juntam,
Multiplicam-se,
Bipartem-se.
Semibreves dolentes,
Tais e quais delicadas
Bailarinas,
Em clássicos balés,
Fusas, semifusas agitadas,
Às vezes desafinadas,
Confusas,
Ferem os ouvidos,
Doem os tímpanos.

É o dia-a-dia
Do artista do som,
Horas a fio,
O sacrifício,
Tudo pela arte.
É a batalha constante,
Não foge da raia.
É a difícil tarefa do músico:
Harmonizar-se com o mundo,
Enquanto ensaia.

(Rui Rodrigues) 
Jales - SP

Constatação

Deus, em sua onisciência,
Fez você, assim, tão bem feita;
Caprichou em todos os detalhes,
Fez uma fêmea perfeita...
Deu-te volúpia, força, pujança,
E um olhar tão penetrante;
Deu-te ternura e simplicidade,
E um perfume natural, inebriante...
Fez você pequena, certinha,
Deu-te um sorriso encantador;
Macia, quente, formosa,
Te fez pronta para o amor...
Fez tudo isso, e ainda
Te fez tão bonita assim...
Mas falhou no mais importante;
Te fez única, cativante,
Porém, não te fez pra mim!...

(Sandra Toledo Rocco) 
Santa Albertina- SP

Deixa ser

Que cada um seja o que for mais feliz,
Que as escolhas sejam aceitas,
Que se tenha paz para ser,
Que a existência seja alada,
Que se alcance os sonhos,
Que a vida seja uma passagem serena
E não uma eterna batalha travada
com gregos e troianos...

(Sandra Garcia) 
Jales- SP

Eu vi o dia amanhecer

Pensei que fosse o amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Minha voz se calou em agonia
Todo o corpo emudeceu pálido.

Eu vi o dia amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Na pele, o inverno se acomodou,
Seus passos... Pude senti-los distantes.

O sol rompeu no horizonte radiante,
Pensava que era o amanhecer da vida,
Mas fora apenas engano

O breu se instalou nos dias amargos,
O luar prateava as águas dos meus olhos,

Tudo não passara de um longo engano... 

(Sandra Garcia) 
Jales-SP

Labirinto

A vida persegue caminhos,
encantos e desencantos.
As janelas se abrem,
mas o horizonte pálido
é um plano distante.

O labirinto de emoções
é inerte ao ente árido.
Angústias atravessam
os corredores e contornam
os pilares de Ícaro.

O sonho é o mesmo!
As penas é que encontraram
cera frágil e abandonaram
as esperanças do pescador de ilusões,

que persegue caminhos desconhecidos. 

(Sandra Garcia)
Jales-SP

Terra Mãe: Desespero

Cá estou a te amparar,
Dias e noites sem fim.
Do meu piso teu alimento.
Do ar que circunda, vida!

Estou a arder do sol,
Em círculos pela amplidão.
Água límpida das nascentes,
A espera da tua proteção.

Cada dia perco copas,
Quase não há onde florir.
Terra árida sem meu choro,
Quer em deserto se fundir.

E sem controle,
Onde choro, tudo vou levando.
Efeitos do teu desprezo!
Prateada, sob a lua, vagando.

Meu chão pisado, mágoa!
Impotente, castigada.
Imploro-te carinho.
Preciso ser!

Terra-mãe, desespero.
Filho meu, em trincheiras, metralhadas.
Sem árvores a sombrear,
O solo arde esquecido, maltratado. 

(Sandra Garcia)
Jales-SP

Caminhar é preciso!

Caminhar é preciso!
É preciso o pé na estrada.
É preciso o sorriso
Ao encontrar um amigo,
Um camarada
Caminhar é sagrado!
Comunhão, religião,
Faça chuva, faça sol,
Seja inverno ou verão,
Caminhar é preciso.
É tarefa, é lição.

Caminhar é preciso!
Virou alimento,
Ao lado da mulher amada,
Mais
Que arroz e feijão,
Mais
Que deliciosa macarronada.

Caminhar é preciso!
É bálsamo, é remédio,
Cura artrite, artrose e tédio,
Bem faz para o coração.
O doutor receitou:
Fortalece o amor,
































Dinamiza a paixão.

(Rui Rodrigues) 
Jales-SP


A queda do muro de Berlim

Ao marco do meio dia,
no dorso de maravilhoso corcel,
Cavalga a “Liberdade”,
Ultrapassando os limites do sonho,
da utopia...
Enquanto isso,
alheia aos passos da humanidade,
A correição de formigas,
Por entre os destroços do muro,
Constrói o seu mundo,
destituído de rancores,

Ódios, ganância e fantasias. 

(Rui Rodrigues)
Jales-SP

Expresso Real

Com pressa, passa o expresso,
Por onde passa, faz a devassa, tudo arrasa...
Com pressa, o expresso passa e o povo
amassa,
Pobre coitado, sob a pressão do expresso,
A qualquer preço vira-se do avesso
E, não agüentando mais o brutal peso,
Esvai-se perplexo.

Perplexa, esvai-se a massa,
Com pressa de se livrar do expresso
E, indefesa, dilui-se feito éter no espaço,
Enquanto isso, nem aí com o regaço,
Passa com pressa o obstinado expresso.

(Rui Rodrigues) 
Jales-SP

Sabor Pitanga

Quero beijos
com sabor de pitanga
beijos roubados
Com sabor de pitanga madura.
Quero beijos.
Apenas seus beijos!
Com sabor de pitanga.

(Marilene Teubner)
Urânia-SP

O que penso

Se você soubesse o que penso...
Um dia talvez eu diga.
Mas no momento,
apenas penso.
Você não merece

nenhum dos meus pensamento.

(Marilene Teubner) 
Urânia-SP

Ilusão

Eu poderia me preparar para esta noite.
E como uma louca
Me jogar em teus braços,
revelando segredo
que trago comigo.

Eu poderia deixar de me iludir
e aceitar o que fascina libertando
este meu ser.

Eu poderia ter você
sem medos, sem disfarces.
Apenas ter você
neste momento.

(Marilene Teubner) 
Urânia-SP

Últimos Versos

Se esses fossem meus últimos versos,
talvez falassem de meus desejos,
falassem de segredos do pôr-do-sol.
Dos amigos que amo
e de inimigos que se querer
cruzaram meu caminho.
Falaria dos medos,
das fraquezas, das saudades.
Se estes fossem meus últimos versos,
confessaria meu amor

e morreria feliz. 

(Marilene Teubner)
Urânia-SP

Jales - 70 Anos

UMA SEMANA VIVIDA NO
 ENGATINHAR DA CIDADE

Na segunda-feira canta o galo matinando.
Novo vilarejo acorda na floresta.
Muitas árvores de pé, poucos ranchos.
Tudo falta no povoado,
porém, há braços fortes de sua gente.

– Levanta-te pioneiro para o batente!
É a Jales que não pode esperar;
derruba mata e abre caminhos.
Mudas e sementes para o plantio,
Cobertura de sapé prá tua morada.

– Cuida do ideal e de teu corpo
café com rapadura e mandioca,
tua primeira sustância matinal.
Biscoito de polvilho, nem pensar
falta forno à lenha e falta tempo.

E o dia quente já amanheceu,
o Sol descola-se do horizonte.
De pé com as ferramentas:
– Segue em frente, bandeirante,
 a vila Jales fará por merecer.

Enxadão e machado nas mãos de uns,
outros atrelando bois de carro;
juntas de mulas arreadas prontas
arrastam toras pelas veredas.
Acolá, esteios de aroeira se alevantam.

Mais um mudanceiro que chega,
sangue novo no roçado,
seu teto doméstico é uma árvore,
para a família é tudo espanto.
Porém, o momento é de unir forças.

Aventurando-se por melhores vidas,
Cavaleiros e carreiros de botinas sujas
Não temem o fracasso nem a maleita.
Melancólicos, no peito trazem saudades
Da família, amigos e compadres.

E a selva virgem está assustada
Nesse sertão nunca se viu semelhante,
Tanta zoeira endoidada – nuvens poeirentas
Afugentam feras e passarinhos.
É a civilização cobrando espaço.

Engenheiro Euphly saca do bolso
anotações em calhamaços amarrotados,
indicando rumos de ruas e praça.
Duquinha, com mestria e bom jeito,
comanda enérgico a cadência da labuta.

Vejam ranchos e barracos erguidos.
– Mas cadê o ícone da fé, minha gente?
De tábua faz o carpinteiro a capela,
duas toras lavradas em forma de cruz
que é levantada entre palmas e vivas.

De ombro a ombro com os maridos
as meninas sertanejas são joias do contexto
buscando água da cisterna distante,
socando arroz no pilão de madeira,
cozinhando, costurando e lavando.

– Oia o grupinho de meninos crescendo!
– Ta carecendo escola, dotor Ofly.
As providências tão sendo tomadas,
a cartilha dos baixinhos está a caminho.
– Já contratei dona Aurora, professora.

E no passar de uma semana árdua
chega o entardecer do domingo afinal,
dia de caçada e repouso - dia do Louvado.
Murmurando orações ante o cruzeiro
enquanto de lado profetiza o engenheiro:

“A vila terá futuro, eu sei,
centro geográfico, ela já o é.
Em breve distrito será,
a emancipação que não demora;
depois comarca com toda certeza.

A ferrovia tá lá em Mirassol
acenando o desenvolvimento regional.
Pela Diocese vou batalhar,
também várias delegacias virão,
não descarto a saúde pública”

Imagina hoje tu, leitor
se esse visionário fundador
visse no auge a Santa Casa
e a cidade privilegiada sendo sede
da unidade hospitalar do Câncer

Voltemos ao cruzeiro do domingo,
pioneiros em orações das seis horas.
O Céu escutou aquelas preces,
deu a Jales graça e prosperidade.

Vai o dia entardecendo – Ave Maria. 

(Genésio Mendes Seixas) 
Jales-SP