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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tu és uma mentira

Tu és uma mentira
És alusão de você mesmo
E tudo que falam de você
É verbo e verbo jogado a esmo

Tu não és verdade
És poesia do dia que não veio
Tua vida falsa não tem descanso
Nem mérito, nem recreio
És papo furado, enganação e farsa

És a maior fraude
Que qualquer um já viu
Nasceste por fim
Em 1º de abril

(André Gandolfo) 
Jales-SP

Contemporâneo

Eu quero ser poeta contemporâneo
Lançar visões e versos
Numa coluna social
Satirizar a vida e as pessoas
Qualquer palavra em mente é canção
E cada frase boa é um refrão

Eu quero ser contemporâneo
De ter idéias sobre método instantâneo
Quero falar de obesidade
Homossexualidade, e muita crítica
Quero prosar o futebol
Religião, sexo e política
Quero ser sujeito

Com jeito contemporâneo
Quero vestir essas maluquices
Ouvir tais idiotices
E adorar o rei das caretices

Eu quero respirar
Ar de contemporâneo
Quero ver num web site
As notícias do mundo todo
Ver os e-mails, e tudo mais
Quero ser mesmo é vagabundo
Assim: Contemporâneo.

(André Gandolfo) 
Jales-SP

Transeunte

Era ele que vinha de longe.
Levava no rosto marcas cansadas
E uma face trincada de frio e Sol
Vento e poeira...

Era ele, um transeunte de outro lugar.
Seus olhos não tinham forças nem pra verter
A última lágrima que sua saudade anunciava
Porque água, era o que menos tinha

Sua boca seca engolindo saliva velha
Era a triste lembrança de seu tempo
De seus arraias junto ao ribeirão
Seus pés traziam mil léguas

Com passos sem tréguas e dias sem descanso
Sua pele, cansada, abatida
Era na voz ressequida
a tristeza que ardia em fogo

Era um homem qualquer.
Que em suas mãos dobradas
Carregava os cortes do tempo
seco de onde passara

Seu corpo todo desvalido,
sedento
Não sabia nem mais o que era pensar
Quanto mais o que era sonhar

Não lhe havia na mente mais palhaços, poetas
Nem se quer aquele violeiro lá do seu sertão
Só lhe restava deitar na noite fria

E esperar a poeira lhe trançar um caixão.

(André Gandolfo) 
Jales-SP

Inquietude

Inquietas flores
Que insistem em se abrir
Inquietas aves
Que insistem em voar

Inquietas mentes
Que insistem em pensar o amor
Como inquietas gotas
Que insistem em cair do céu...

Foram inquietas sementes
Que insistem em se espalhar
Insistem em sumir no chão
Insistem em brotar, crescer, frutificar
E se aquietar um dia...

E se o sol não se inquietasse
O dia não ira nascer
Se a semente do chão não brotasse
Não nasceria o viver...

(André Gandolfo) 
Jales-SP

Celebrar

Vida das cores brotam, enfeitam
Cantam cores quentes, cores claras, todo tom
Vibra toda pele, toda cara, todo som
É poesia, é raça forte, é Brasil
É a folia na cantoria,da paisagem senhoril
Qual a cor da noite, céu banhado de
escuridão
É a pele bronzeada, dourada, marrom
E toda hora é hora
De cantar a excelência negra
Toda dia é dia
De gingar a sapiência negra
Todo ano é ano

De celebrar a consciência negra! 

(André Gandolfo) 
Jales-SP