Sons
saxofônicos
Espalham-se
pelo ambiente,
As
notas se juntam,
Multiplicam-se,
Bipartem-se.
Semibreves
dolentes,
Tais
e quais delicadas
Bailarinas,
Em
clássicos balés,
Fusas,
semifusas agitadas,
Às
vezes desafinadas,
Confusas,
Ferem
os ouvidos,
Doem
os tímpanos.
É
o dia-a-dia
Do
artista do som,
Horas
a fio,
O
sacrifício,
Tudo
pela arte.
É
a batalha constante,
Não
foge da raia.
É
a difícil tarefa do músico:
Harmonizar-se
com o mundo,
Enquanto
ensaia.
(Rui Rodrigues)
Jales - SP |
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Sons Saxofônicos
Constatação
Deus, em sua
onisciência,
Fez você, assim, tão
bem feita;
Caprichou em todos os
detalhes,
Fez uma fêmea
perfeita...
Deu-te volúpia, força,
pujança,
E um olhar tão
penetrante;
Deu-te ternura e
simplicidade,
E um perfume natural,
inebriante...
Fez você pequena,
certinha,
Deu-te um sorriso
encantador;
Macia, quente, formosa,
Te fez pronta para o
amor...
Fez tudo isso, e ainda
Te fez tão bonita
assim...
Mas falhou no mais
importante;
Te fez única, cativante,
Porém, não te fez pra mim!...(Sandra Toledo Rocco)
Santa Albertina- SP
Deixa ser
Que cada um seja o que for mais feliz,
Que as escolhas sejam aceitas,
Que se tenha paz para ser,
Que a existência seja alada,
Que se alcance os sonhos,
Que a vida seja uma passagem serena
E não uma eterna batalha travada
com gregos e troianos...
(Sandra Garcia)
Jales- SP
Jales- SP
Eu vi o dia amanhecer
Pensei que fosse o
amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Minha voz se calou em
agonia
Todo o corpo emudeceu
pálido.
Eu vi o dia amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Na pele, o inverno se
acomodou,
Seus passos... Pude
senti-los distantes.
O sol rompeu no
horizonte radiante,
Pensava que era o
amanhecer da vida,
Mas fora apenas engano
O breu se instalou nos
dias amargos,
O luar prateava as
águas dos meus olhos,
Tudo não passara de um
longo engano...
(Sandra Garcia)
Jales-SP
Jales-SP
Labirinto
A vida persegue
caminhos,
encantos e desencantos.
As janelas se abrem,
mas o horizonte pálido
é um plano distante.
O labirinto de emoções
é inerte ao ente árido.
Angústias atravessam
os corredores e
contornam
os pilares de Ícaro.
O sonho é o mesmo!
As penas é que
encontraram
cera frágil e
abandonaram
as esperanças do
pescador de ilusões,
que persegue caminhos
desconhecidos.
(Sandra Garcia)
Jales-SP
Jales-SP
Terra Mãe: Desespero
Cá estou a te amparar,
Dias e noites sem fim.
Do meu piso teu
alimento.
Do ar que circunda,
vida!
Estou a arder do sol,
Em círculos pela
amplidão.
Água límpida das
nascentes,
A espera da tua
proteção.
Cada dia perco copas,
Quase não há onde
florir.
Terra árida sem meu
choro,
Quer em deserto se
fundir.
E sem controle,
Onde choro, tudo vou
levando.
Efeitos do teu
desprezo!
Prateada, sob a lua,
vagando.
Meu chão pisado, mágoa!
Impotente, castigada.
Imploro-te carinho.
Preciso ser!
Terra-mãe, desespero.
Filho meu, em
trincheiras, metralhadas.
Sem árvores a sombrear,
O solo arde esquecido, maltratado. (Sandra Garcia)
Jales-SP
Caminhar é preciso!
Caminhar
é preciso!
É
preciso o pé na estrada.
É
preciso o sorriso
Ao
encontrar um amigo,
Um
camarada
Caminhar
é sagrado!
Comunhão,
religião,
Faça
chuva, faça sol,
Seja
inverno ou verão,
Caminhar
é preciso.
É
tarefa, é lição.
Caminhar
é preciso!
Virou
alimento,
Ao
lado da mulher amada,
Mais
Que
arroz e feijão,
Mais
Que
deliciosa macarronada.
Caminhar
é preciso!
É
bálsamo, é remédio,
Cura
artrite, artrose e tédio,
Bem
faz para o coração.
O
doutor receitou:
Fortalece
o amor,
|
Dinamiza a paixão.
(Rui Rodrigues)
Jales-SP
A queda do muro de Berlim
Ao marco do meio dia,
no dorso de maravilhoso
corcel,
Cavalga a “Liberdade”,
Ultrapassando os
limites do sonho,
da utopia...
Enquanto isso,
alheia aos passos da
humanidade,
A correição de
formigas,
Por entre os destroços
do muro,
Constrói o seu mundo,
destituído de rancores,
Ódios, ganância e
fantasias.
(Rui Rodrigues)
Jales-SP
Jales-SP
Expresso Real
Com pressa, passa o
expresso,
Por onde passa, faz a
devassa, tudo arrasa...
Com pressa, o expresso
passa e o povo
amassa,
Pobre coitado, sob a
pressão do expresso,
A qualquer preço
vira-se do avesso
E, não agüentando mais
o brutal peso,
Esvai-se perplexo.
Perplexa, esvai-se a
massa,
Com pressa de se livrar
do expresso
E, indefesa, dilui-se
feito éter no espaço,
Enquanto isso, nem aí
com o regaço,
Passa com pressa o obstinado expresso.(Rui Rodrigues)
Jales-SP
Sabor Pitanga
Quero beijos
com sabor de pitanga
beijos roubados
Com sabor de pitanga
madura.
Quero beijos.
Apenas seus beijos!
Com sabor de pitanga.(Marilene Teubner)
Urânia-SP
O que penso
Se você soubesse o que
penso...
Um dia talvez eu diga.
Mas no momento,
apenas penso.
Você não merece
nenhum dos meus
pensamento.
(Marilene Teubner)
Urânia-SP
Urânia-SP
Ilusão
Eu poderia me preparar
para esta noite.
E como uma louca
Me jogar em teus
braços,
revelando segredo
que trago comigo.
Eu poderia deixar de me
iludir
e aceitar o que fascina
libertando
este meu ser.
Eu poderia ter você
sem medos, sem
disfarces.
Apenas ter você
neste momento.(Marilene Teubner)
Urânia-SP
Últimos Versos
Se esses fossem meus
últimos versos,
talvez falassem de meus
desejos,
falassem de segredos do
pôr-do-sol.
Dos amigos que amo
e de inimigos que se
querer
cruzaram meu caminho.
Falaria dos medos,
das fraquezas, das
saudades.
Se estes fossem meus
últimos versos,
confessaria meu amor
e morreria feliz.
(Marilene Teubner)
Urânia-SP
Urânia-SP
Jales - 70 Anos
UMA SEMANA VIVIDA NO
ENGATINHAR DA CIDADE
Na segunda-feira canta
o galo matinando.
Novo vilarejo acorda na
floresta.
Muitas árvores de pé,
poucos ranchos.
Tudo falta no povoado,
porém, há braços fortes
de sua gente.
– Levanta-te pioneiro
para o batente!
É a Jales que não pode
esperar;
derruba mata e abre
caminhos.
Mudas e sementes para o
plantio,
Cobertura de sapé prá
tua morada.
– Cuida do ideal e de
teu corpo
café com rapadura e
mandioca,
tua primeira sustância
matinal.
Biscoito de polvilho,
nem pensar
falta forno à lenha e
falta tempo.
E o dia quente já
amanheceu,
o Sol descola-se do
horizonte.
De pé com as
ferramentas:
– Segue em frente,
bandeirante,
a vila Jales fará por merecer.
Enxadão e machado nas
mãos de uns,
outros atrelando bois
de carro;
juntas de mulas arreadas prontas
arrastam toras pelas
veredas.
Acolá, esteios de
aroeira se alevantam.
Mais um mudanceiro que
chega,
sangue novo no roçado,
seu teto doméstico é
uma árvore,
para a família é tudo
espanto.
Porém, o momento é de
unir forças.
Aventurando-se por
melhores vidas,
Cavaleiros e carreiros
de botinas sujas
Não temem o fracasso
nem a maleita.
Melancólicos, no peito
trazem saudades
Da família, amigos e
compadres.
E a selva virgem está
assustada
Nesse sertão nunca se
viu semelhante,
Tanta zoeira endoidada
– nuvens poeirentas
Afugentam feras e
passarinhos.
É a civilização
cobrando espaço.
Engenheiro Euphly saca
do bolso
anotações em calhamaços
amarrotados,
indicando rumos de ruas
e praça.
Duquinha, com mestria e
bom jeito,
comanda enérgico a cadência da labuta.
Vejam ranchos e
barracos erguidos.
– Mas cadê o ícone da
fé, minha gente?
De tábua faz o
carpinteiro a capela,
duas toras lavradas em
forma de cruz
que é levantada entre
palmas e vivas.
De ombro a ombro com os
maridos
as meninas sertanejas
são joias do contexto
buscando água da
cisterna distante,
socando arroz no pilão
de madeira,
cozinhando, costurando
e lavando.
– Oia o grupinho de
meninos crescendo!
– Ta carecendo escola,
dotor Ofly.
As providências tão
sendo tomadas,
a cartilha dos
baixinhos está a caminho.
– Já contratei dona
Aurora, professora.
E no passar de uma
semana árdua
chega o entardecer do
domingo afinal,
dia de caçada e repouso
- dia do Louvado.
Murmurando orações ante
o cruzeiro
enquanto de lado profetiza o engenheiro:
“A vila terá futuro, eu
sei,
centro geográfico, ela
já o é.
Em breve distrito será,
a emancipação que não
demora;
depois comarca com toda
certeza.
A ferrovia tá lá em
Mirassol
acenando o
desenvolvimento regional.
Pela Diocese vou
batalhar,
também várias
delegacias virão,
não descarto a saúde
pública”
Imagina hoje tu, leitor
se esse visionário
fundador
visse no auge a Santa
Casa
e a cidade privilegiada
sendo sede
da unidade hospitalar
do Câncer
Voltemos ao cruzeiro do
domingo,
pioneiros em orações
das seis horas.
O Céu escutou aquelas
preces,
deu a Jales graça e
prosperidade.
Vai o dia entardecendo
– Ave Maria.
(Genésio Mendes Seixas)
Jales-SP
Jales-SP
Espaço cativo!
A noite que se
apresenta,
Aquieta meu coração,
Preenchendo-o com muita
paz,
Esperança e amor!
Sei que lá longe, distante
de meus olhos,
Mas perto de meus
pensamentos,
Esta alguém que amo,
capaz de transformar
Em felicidade, todos os
meus lamentos!
Rogo então, em
silêncio,
Aos Anjos e aos
Querubins:
Que esse alguém nunca
esqueça
Que tem seu espaço
cativo,
Dentro do meu coração,
Guardado bem dentro de
mim!
(Fatinha Mussato)
Jales-SP
Jales-SP
Eu queria ser!
Eu queria ser,
Uma nota musical,
Da sinfonia que és pra
mim!
Eu queria ser,
Um raio de luz,
Na tua noite de luar!
Enfeitando o jardim
Florido e perfumado
Que já és para mim!
Eu queria ser,
Ao menos um verso
De amor dentro do teu
peito!
Tão belo e perfeito
assim,
Quanto ao poema
Que já és dentro de
mim.
Eu queria ser, enfim,
Um pouco do teu tudo,
Como tudo tu és para mim(Fatinha Mussato)
Jales-SP
Voltei
Sem nenhum compromisso
urgente,
Sem aquela esperada
carta,
Venho dizer-te:
Cheguei.
Saberia
Falar-te de mares
seguros,
Se tivesse certeza
Que na viagem não
fiquei enjoado.
Perdi-me
Nas falsas espumas e
bolhas da euforia,
Tonto de tanta coisa
sem nexo,
Nem causa,
Voltei.
Aqui
Quero ficar com você,
Aqui quero amar,
Sofrer,
Suar,
Chorar,
Abraçar,
Sorrir com graça.
Na felicidade,
Na saúde e na doença
Quero viver com você.
Voltei,
Aqui tinha deixado meu
corpo
Meu coração
E minha alma.(Celso Antônio)
Jales-SP
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