quarta-feira, 3 de julho de 2013

Deixa ser

Que cada um seja o que for mais feliz,
Que as escolhas sejam aceitas,
Que se tenha paz para ser,
Que a existência seja alada,
Que se alcance os sonhos,
Que a vida seja uma passagem serena
E não uma eterna batalha travada
com gregos e troianos...

(Sandra Garcia) 
Jales- SP

Eu vi o dia amanhecer

Pensei que fosse o amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Minha voz se calou em agonia
Todo o corpo emudeceu pálido.

Eu vi o dia amanhecer,
Mas fora apenas engano.
Na pele, o inverno se acomodou,
Seus passos... Pude senti-los distantes.

O sol rompeu no horizonte radiante,
Pensava que era o amanhecer da vida,
Mas fora apenas engano

O breu se instalou nos dias amargos,
O luar prateava as águas dos meus olhos,

Tudo não passara de um longo engano... 

(Sandra Garcia) 
Jales-SP

Labirinto

A vida persegue caminhos,
encantos e desencantos.
As janelas se abrem,
mas o horizonte pálido
é um plano distante.

O labirinto de emoções
é inerte ao ente árido.
Angústias atravessam
os corredores e contornam
os pilares de Ícaro.

O sonho é o mesmo!
As penas é que encontraram
cera frágil e abandonaram
as esperanças do pescador de ilusões,

que persegue caminhos desconhecidos. 

(Sandra Garcia)
Jales-SP

Terra Mãe: Desespero

Cá estou a te amparar,
Dias e noites sem fim.
Do meu piso teu alimento.
Do ar que circunda, vida!

Estou a arder do sol,
Em círculos pela amplidão.
Água límpida das nascentes,
A espera da tua proteção.

Cada dia perco copas,
Quase não há onde florir.
Terra árida sem meu choro,
Quer em deserto se fundir.

E sem controle,
Onde choro, tudo vou levando.
Efeitos do teu desprezo!
Prateada, sob a lua, vagando.

Meu chão pisado, mágoa!
Impotente, castigada.
Imploro-te carinho.
Preciso ser!

Terra-mãe, desespero.
Filho meu, em trincheiras, metralhadas.
Sem árvores a sombrear,
O solo arde esquecido, maltratado. 

(Sandra Garcia)
Jales-SP

Caminhar é preciso!

Caminhar é preciso!
É preciso o pé na estrada.
É preciso o sorriso
Ao encontrar um amigo,
Um camarada
Caminhar é sagrado!
Comunhão, religião,
Faça chuva, faça sol,
Seja inverno ou verão,
Caminhar é preciso.
É tarefa, é lição.

Caminhar é preciso!
Virou alimento,
Ao lado da mulher amada,
Mais
Que arroz e feijão,
Mais
Que deliciosa macarronada.

Caminhar é preciso!
É bálsamo, é remédio,
Cura artrite, artrose e tédio,
Bem faz para o coração.
O doutor receitou:
Fortalece o amor,
































Dinamiza a paixão.

(Rui Rodrigues) 
Jales-SP


A queda do muro de Berlim

Ao marco do meio dia,
no dorso de maravilhoso corcel,
Cavalga a “Liberdade”,
Ultrapassando os limites do sonho,
da utopia...
Enquanto isso,
alheia aos passos da humanidade,
A correição de formigas,
Por entre os destroços do muro,
Constrói o seu mundo,
destituído de rancores,

Ódios, ganância e fantasias. 

(Rui Rodrigues)
Jales-SP

Expresso Real

Com pressa, passa o expresso,
Por onde passa, faz a devassa, tudo arrasa...
Com pressa, o expresso passa e o povo
amassa,
Pobre coitado, sob a pressão do expresso,
A qualquer preço vira-se do avesso
E, não agüentando mais o brutal peso,
Esvai-se perplexo.

Perplexa, esvai-se a massa,
Com pressa de se livrar do expresso
E, indefesa, dilui-se feito éter no espaço,
Enquanto isso, nem aí com o regaço,
Passa com pressa o obstinado expresso.

(Rui Rodrigues) 
Jales-SP

Sabor Pitanga

Quero beijos
com sabor de pitanga
beijos roubados
Com sabor de pitanga madura.
Quero beijos.
Apenas seus beijos!
Com sabor de pitanga.

(Marilene Teubner)
Urânia-SP

O que penso

Se você soubesse o que penso...
Um dia talvez eu diga.
Mas no momento,
apenas penso.
Você não merece

nenhum dos meus pensamento.

(Marilene Teubner) 
Urânia-SP

Ilusão

Eu poderia me preparar para esta noite.
E como uma louca
Me jogar em teus braços,
revelando segredo
que trago comigo.

Eu poderia deixar de me iludir
e aceitar o que fascina libertando
este meu ser.

Eu poderia ter você
sem medos, sem disfarces.
Apenas ter você
neste momento.

(Marilene Teubner) 
Urânia-SP

Últimos Versos

Se esses fossem meus últimos versos,
talvez falassem de meus desejos,
falassem de segredos do pôr-do-sol.
Dos amigos que amo
e de inimigos que se querer
cruzaram meu caminho.
Falaria dos medos,
das fraquezas, das saudades.
Se estes fossem meus últimos versos,
confessaria meu amor

e morreria feliz. 

(Marilene Teubner)
Urânia-SP

Jales - 70 Anos

UMA SEMANA VIVIDA NO
 ENGATINHAR DA CIDADE

Na segunda-feira canta o galo matinando.
Novo vilarejo acorda na floresta.
Muitas árvores de pé, poucos ranchos.
Tudo falta no povoado,
porém, há braços fortes de sua gente.

– Levanta-te pioneiro para o batente!
É a Jales que não pode esperar;
derruba mata e abre caminhos.
Mudas e sementes para o plantio,
Cobertura de sapé prá tua morada.

– Cuida do ideal e de teu corpo
café com rapadura e mandioca,
tua primeira sustância matinal.
Biscoito de polvilho, nem pensar
falta forno à lenha e falta tempo.

E o dia quente já amanheceu,
o Sol descola-se do horizonte.
De pé com as ferramentas:
– Segue em frente, bandeirante,
 a vila Jales fará por merecer.

Enxadão e machado nas mãos de uns,
outros atrelando bois de carro;
juntas de mulas arreadas prontas
arrastam toras pelas veredas.
Acolá, esteios de aroeira se alevantam.

Mais um mudanceiro que chega,
sangue novo no roçado,
seu teto doméstico é uma árvore,
para a família é tudo espanto.
Porém, o momento é de unir forças.

Aventurando-se por melhores vidas,
Cavaleiros e carreiros de botinas sujas
Não temem o fracasso nem a maleita.
Melancólicos, no peito trazem saudades
Da família, amigos e compadres.

E a selva virgem está assustada
Nesse sertão nunca se viu semelhante,
Tanta zoeira endoidada – nuvens poeirentas
Afugentam feras e passarinhos.
É a civilização cobrando espaço.

Engenheiro Euphly saca do bolso
anotações em calhamaços amarrotados,
indicando rumos de ruas e praça.
Duquinha, com mestria e bom jeito,
comanda enérgico a cadência da labuta.

Vejam ranchos e barracos erguidos.
– Mas cadê o ícone da fé, minha gente?
De tábua faz o carpinteiro a capela,
duas toras lavradas em forma de cruz
que é levantada entre palmas e vivas.

De ombro a ombro com os maridos
as meninas sertanejas são joias do contexto
buscando água da cisterna distante,
socando arroz no pilão de madeira,
cozinhando, costurando e lavando.

– Oia o grupinho de meninos crescendo!
– Ta carecendo escola, dotor Ofly.
As providências tão sendo tomadas,
a cartilha dos baixinhos está a caminho.
– Já contratei dona Aurora, professora.

E no passar de uma semana árdua
chega o entardecer do domingo afinal,
dia de caçada e repouso - dia do Louvado.
Murmurando orações ante o cruzeiro
enquanto de lado profetiza o engenheiro:

“A vila terá futuro, eu sei,
centro geográfico, ela já o é.
Em breve distrito será,
a emancipação que não demora;
depois comarca com toda certeza.

A ferrovia tá lá em Mirassol
acenando o desenvolvimento regional.
Pela Diocese vou batalhar,
também várias delegacias virão,
não descarto a saúde pública”

Imagina hoje tu, leitor
se esse visionário fundador
visse no auge a Santa Casa
e a cidade privilegiada sendo sede
da unidade hospitalar do Câncer

Voltemos ao cruzeiro do domingo,
pioneiros em orações das seis horas.
O Céu escutou aquelas preces,
deu a Jales graça e prosperidade.

Vai o dia entardecendo – Ave Maria. 

(Genésio Mendes Seixas) 
Jales-SP

Espaço cativo!

A noite que se apresenta,
Aquieta meu coração,
Preenchendo-o com muita paz,
Esperança e amor!

Sei que lá longe, distante de meus olhos,
Mas perto de meus pensamentos,
Esta alguém que amo, capaz de transformar
Em felicidade, todos os meus lamentos!

Rogo então, em silêncio,
Aos Anjos e aos Querubins:

Que esse alguém nunca esqueça
Que tem seu espaço cativo,
Dentro do meu coração,

Guardado bem dentro de mim! 

(Fatinha Mussato) 
Jales-SP

Eu queria ser!

Eu queria ser,
Uma nota musical,
Da sinfonia que és pra mim!

Eu queria ser,
Um raio de luz,
Na tua noite de luar!

Enfeitando o jardim
Florido e perfumado
Que já és para mim!

Eu queria ser,
Ao menos um verso
De amor dentro do teu peito!

Tão belo e perfeito assim,
Quanto ao poema
Que já és dentro de mim.

Eu queria ser, enfim,
Um pouco do teu tudo,
Como tudo tu és para mim

(Fatinha Mussato) 
Jales-SP

Voltei

Sem nenhum compromisso urgente,
Sem aquela esperada carta,
Venho dizer-te:
Cheguei.

Saberia
Falar-te de mares seguros,
Se tivesse certeza
Que na viagem não fiquei enjoado.
Perdi-me
Nas falsas espumas e bolhas da euforia,
Tonto de tanta coisa sem nexo,
Nem causa,
Voltei.


Aqui
Quero ficar com você,
Aqui quero amar,
Sofrer,
Suar,
Chorar,
Abraçar,
Sorrir com graça.
Na felicidade,
Na saúde e na doença
Quero viver com você.

Voltei,
Aqui tinha deixado meu corpo
Meu coração
E minha alma.

(Celso Antônio)
Jales-SP

Pequeno poema

Quando anoitecer
Quando todas as luzes
Do fim da rua
Se acenderem,
Chamem-me,
Quero sentir no rosto
A brisa do último

Suspiro do sol. 

(Celso Antônio)
 Jales-SP

Sonho

Caí das alturas
E atravessei o muro do medo,
Para poder me deliciar com o amor.

Deixei de lado tudo o que não queria,
Passei a ter tudo queria e fazia.

Mas o céu se cobriu de nuvens escuras,
E eu me perdi saudoso
Nas ruas da minha triste cidade.

O verde que pintei nos muros há dez anos,
Tornaram-se amarelos manchados de preto
Pelo tempo que passou debaixo da ponte.

Esta velha máquina de escrever gagueja
Letras tortas e enferrujadas no branco do
papel.

Delírios! Milhares deles.
Por que sonhos monstruosos?
De tão ruins, destroem minha Alma.
Por quê?

(Celso Antônio) 

Quem é livre?

Livre é o Homem que nada tem e nada pede.
Livre é aquele que nunca busca, mas sempre
encontra.
Livre é o que vê mas não enxerga; o que
ouve mas não escuta.
Livre é o Homem que faz do seu desejo uma
renúncia.
Livre é aquele que consegue ver no
sofrimento uma vitória;
Na crítica uma lição; na morte a vida.

Livre é aquele que tem tudo sem ter nada.

(Catalina Cervantes)